Musée National Eugène Delacroix

fevereiro 13th, 2011 § 1 Comentário

E seguindo o passeio pelo Saint-Germain-des-Prés, perto da École des beaux-arts e a Igreja de Saint-Germain-des-Prés, encontra-se o museu nacional Eugène Delacroix (1798-1863). O museu foi montado na última casa em que viveu o artista que se mudou para uma área mais próxima da Igreja de Saint-Sulpice, quando foi encarregado de decorar uma capela. Muito debilitado mas ávido por terminar seu projeto na capela, ele se muda para esta casa-atelier em 1857.

Na sua nova morada ele escreverá muitas vezes seu contentamento:

“Mon logement est décidément charmant (…). Réveillé le lendemain en voyant le soleil le plus gracieux sur les maisons qui sont en face de ma fenêtre. La vue de mon petit jardin et l’aspect riant de mon atelier me causent toujours un sentiment de plaisir. ” (28 décembre 1857).

“Minha casa é decididamente encantadora (…). Acordo vendo um sol gracioso sobre as casas que ficam em frente à minha janela. A vista do meu pequeno jardim e o meu sorridente atelier me causam sempre um sentimento de prazer.” (28 de dezembro de 1857)

A tradução é minha, e mesmo que não seja uma tradução exata e poética creio que deixa claro que Delacroix criou um rápido vínculo nesse novo lugar.

O museu fica no numero 6 da rue de Furstenberg num prédio residencial. Pequenas ruas, vielas e os charmosos prédios parisienses dão graça ao lugar. É administrativamente parte do musée du Louvre.

Depois da morte de Delacroix em 13 de agosto de 1863, diversos locatários ocuparam a casa e chegou a ser cogitada a demolição do atelier. Foi então em 1929 que alguns pintores como Maurice Denis e Paul Signac juntamente com dois historiadores de Delacroix, André Joubin e Raymond Escholier, tiveram a idéia de ali constituir a Sociedade dos Amigos de Eugène Delacroix a fim de impedir a destruição do imóvel.

Uma escadaria nos leva até o apartamento. A sala preserva alguns móveis originais, aquarelas, desenhos e pinturas dele e de outros artistas estão expostos. Visitamos o quarto, com lareira e poltrona da época e com descrições de como era a peça no tempos em que Delacroix morou ali.

A visita continua pelo atelier do artista, que fica em uma casa no jardim interno do prédio. É um grande salão com objetos exóticos que Delacroix coletou durantes viagens, móveis e algumas pinturas de grandes tamanhos.

Em 1971 o musée Eugène Delacroix tornou-se um museu nacional e em 2004 ele foi anexado ao musée du Louvre.

Um lugar agradável para conhecer durante um passeio à pé pelo Saint-Germain-des-Prés, com duração de aproximadamente 40 minutos. Depois é só parar no Café de Flore para fechar bem o dia!

Musée National Eugène Delacroix

6 rue de Furstenberg
75 006 Paris

http://www.musee-delacroix.fr/fr/

École des beaux-arts de Paris

janeiro 25th, 2011 § 1 Comentário

Pois foi em um domingo frio e chuvoso de dezembro que resolvi fazer um pequeno tour pelo Saint-Germain-des-prés, antigo bairro no centro da cidade cheio de lojas caras, prédios lindos e enfeites de natal. Minha primeira visita foi à École des beaux-arts, a escola superior de Belas Artes.

O prédio fica em face ao rio Sena e data dos séculos 17, 18, 19 e do 20. Tem em seu acervo milhares de obras entre pinturas, esculturas, manuscritos e desenhos. Dentre seus alunos célebres, temos Matisse, Degas e Delacroix.

O prédio mais antigo é a Capela, erguida no começo do século XVII para o Convento dos Petits-Augustins e no qual foi criado durante a Revolução um museu de monumentos franceses, com os elementos de esculturas francesas mais marcantes. Com o fechamento do museu em 1816, estes prédios foram anexados à École des beaux-arts.

O arquiteto François Debret (1777-1850) foi encarregado da construção do novo imóvel. Ele constrói primeiro o prédio que abrigará os estudantes e começa o Palais des études, destinado à receber as maquetes de arquitetura, copias de esculturas clássicas e obras dos estudantes. Seu aluno e cunhado Félix Duban (1797-1872) o sucede terminando o Palais des études e o salão de exposições. Duban reutilizou elementos da arquitetura e da decoração que ficaram no local depois da dispersão das coleções do Museu de monumentos franceses, dando ao conjunto unidade e valor incontestáveis.

É em 1883 que a escola tem sua última grande expansão com a compra do l’hôtel de Chimay e seus prédios anexos, datados dos séculos XVII e XVIII.

Atualmente a École des beaux-arts tem um vasto programa cultural que abrange visitas guiadas, cinema experimental, palestras e, claro, exposições.

École nationale supérieure des beaux-arts

14 rue Bonaparte, 75006 Paris

www.ensba.fr

Basquiat no Musée d’art moderne de la ville de Paris

outubro 15th, 2010 § Deixe um comentário

O Museu de arte moderna de Paris faz a primeira grande exposição consagrada ao artista nova-iorquino em Paris. A retrospectiva começa hoje,  15 de outubro de 2010, ano em que o artista completaria 50 anos. Quero muito ver de perto e pela primeira vez as pinturas de Basquiat; esta será uma das mais importantes mostras em Paris neste semestre e cartazes por toda cidade já anunciavam a exposição há semanas.

Basquiat foi de origem porto riquenha e haitiana, nascido em 1960 em Nova York. Ficou conhecido pelos grafittes e a marca “SAMO” (the same old shit - a mesma merda de sempre) que deixava escrito pelas ruas. Com 18 anos saiu de casa e passou a vender camisetas e postais,  mas logo viu sua popularidade crescer ao participar de shows na televisão e no meio musical ao formar a banda Grey.

Sua origem underground e a mistura de elementos de vodu, cristianismo, desenho animado e de mídias contribuiu para uma crescente valorização do seu trabalho, tendo criado pinturas junto com Andy Warhol e exposto com Keith Haring. Curadores e críticos de arte eram vistos frequentemente na companhia do artista e exposições internacionais foram organizadas graças à esses contatos.

O MAM compõe esta retrospectiva com uma centena de pinturas, desenhos e objetos provenientes de numerosos museus e coleções particulares da América e Europa, que permitem construir o percurso cronológico da obra de Basquiat e de visualizar sua importância na arte e na história dos anos 80.

O vicio em heroína matou de overdose, em 1988, o menino prodígio que chegou inclusive a namorar Madonna. Um filme sobre sua vida foi dirigido por Julian Schnabel (o mesmo diretor de O Escafandro e a Borboleta e Antes no Anoitecer) em 1996.

Basquiat

15 de outubro à 30 de janeiro de 2010

Musée d’art moderne de la ville de Paris

http://mam.paris.fr

Filme Basquiat (1996)

Dirigido por Julian Schnabel

Portas abertas dos ateliers de Ménilmontant

setembro 29th, 2010 § 1 Comentário

Por quatro dias os artistas do bairro de Ménilmontant (Paris 20) receberam o público em seus ateliers, expondo e vendendo seus trabalhos e reproduções. A idéia me pareceu interessante, lá fui eu descobrir os vizinhos artistas e a cena mais popular da arte em Paris, saindo um pouco da cena dos museus ensebadinhos… oba!

No sábado à tarde fui fazer este passeio e pertinho de onde moro achei as primeiras bandeirinhas que sinalizavam ateliers para visitar. Devo avisar que saí um pouco tarde de casa e tinha 2 horas pra percorrer os ateliers, nessa altura com os artistas já (mais) mal humorados com o mal tempo e a baixa circulação de pessoas.

Entrei em exatos 10 locais de exposição. Pude ver alguns ateliers como o artista o deixou, com as tintas, os gessos e as pinturas espalhadas pelo chão; prateleiras improvisadas e, claro, as obras escolhidas expostas em suas devidas molduras e iluminação. Muitos vendiam postais com reproduções de seus trabalhos, com a renda revertida em prol do sustento do atelier. O clima não costumava ser muito aconchegante e era difícil saber quem era o artista do lugar em que se estava. Eu pedi para duas senhoras que cuidavam de uma pequena exposição se elas me permitiriam tirar algumas fotos do atelier, pedido que foi categoricamente negado.

Entrando num conjunto de apartamentos, com um grande jardim interno e pequenas ruelas que formavam uma vilinha no centro dos prédios, encontrei esculturas em bronze, cerâmica, pinturas, colagens e uma performance. Ou pelo menos eu acho que era isso: numa pequena peça uma menina permanecia em pé, perfeitamente parada com o seu contrabaixo, em posição de tocar o instrumento. Umas quatro pessoas também imóveis assistiam o “concerto”. Entrei e fiquei paradinha olhando. Nada. Esperei um pouco e então saí, o clima era muito esquisito, quase fúnebre! Assim que sai ela tocou uma corda do contrabaixo.

As portas abertas dos ateliers de Ménilmontant é uma idéia que tem tudo para funcionar, mas não funciona. O que era pra popularizar e confraternizar com a vizinhança do 20º bairro de Paris acaba sendo um pequeno e tímido evento fechado, local para algumas vernissages entre conhecidos – e só. Não vi nada de novo, nada que realmente chamasse atenção (mas admito que o contrabaixo foi bastante enigmático!) e, principalmente, não vi nenhuma manifestação mais contemporânea e inovadora. O que vi foi uma ligeira decadência disfarçada de atividade cultural.

Acabei sem fotos para mostrar, afinal, se eu quisesse eu poderia comprar as reproduções que eram oferecidas, uh lala. Fico com o mural de Jérôme Mesnager e seus homens brancos que estao em todos os cantinhos deste bairro.  E mando um salve especial para as taças de vinho que compartilhei com Rodrigo, que topa qualquer passeio estranho que eu proponha. Salve!

Somos nós os caras de Ménilmontant

“Somos nós os caras de Ménilmontant”

 

Ateliers de Ménilmontant

http://ateliersdemenilmontant.org/index.htm

 

Jérome Mesnager

http://mesnagerjerome.free.fr/

William Kentridge no Jeu de Paume

setembro 21st, 2010 § 3 Comentários

Há algumas semanas decidi finalmente visitar a galeria de arte Jeu de Paume. Esta galeria de arte contemporânea é vizinha de um outro museu muito charmoso, o L’Orangerie, famoso pelas suas duas salas ovais que abrigam oito enormes telas das ninféias do Monet.

Eu demorei a me presentear com a visita ao Jeu de Paume, pois volta e meia me pegava entrando no L’Orangerie, onde a sensação de estar num aquário é muito interessante (ok, além disso, eu não pago ingresso lá!). Mas dessa vez não pude resistir: exposição do William Kentridge! Lembra? Ele teve uma sala inteira só para ele na 6a Bienal do Mercosul, em Porto Alegre. Sul africano, foi artista convidado. E roubou a cena.

A obra do senhor Kentridge é sensivelmente incrível. Minhas lembranças daquela Bienal me fizeram partir cedo para o museu, no Jardin des Tuileries.

Ocupando três espaços do segundo andar do museu, podemos ver pelos desenhos do artista o quanto a questão do movimento é importante para o seu trabalho. Os desenhos de Kentridge falam de movimento, de sequência, de ação. Colocados um ao lado do outro, claramente olhamos para um story-board de filme.

Mas o que eu queria mesmo ver nesta exposição eram os vídeos. A lembrança daquela Bienal ainda me voltava à memória. Na primeira grande sala dedicada aos filmes, o clima de cinema é forte. Ou será clima de teatro? Dois pequenos palcos que lembram aqueles das marionetes estão montados. Um terceiro é mais parecido com um quadro-negro. Ali, a cada 30 minutos, um vídeo-teatro-marionete acontece.

Tentando explicar melhor: é uma projeção de vídeo, sobre um cenário móvel, onde formas, sombras, pessoas, paisagens e uma infinidade de detalhes se movem, construindo algo que vai além do assistir um vídeo. A música de Mozart – A Flauta Encantada – acompanha os movimentos delicados de toda a composição.

A sala estava quase cheia e todos, em silêncio, buscavam os melhores lugares.

A segunda grande sala era dedicada aos mesmos filmes exibidos em Porto Alegre, em 2007; os mesmos que eu assisti muito impressionada pela primeira vez. Os vídeos eram projetados diretamente nas paredes do museu. O escurinho do cinema estava lá. E podíamos ver as formigas criando uma composição quase aquática, os papéis do artista voando com vida própria, a xícara de café movendo-se sobre o papel.

Poesia!

O Jeu de Paume, com esta exposição, foi o primeiro museu francês a realizar uma retrospectiva de Kentridge. O artista teve notoriedade internacional durante os anos 90, graças à sua série de filmes de animação sobre a vida dos sul africanos durante o apartheid.

A exposição acontece em torno dos grandes temas trabalhados por Kentridge, desde 1980 até hoje. O seu grande interesse pelo teatro é muito claro e ele é um dos poucos artistas contemporâneos que consegue unir numa só linguagem as artes plásticas e o teatro.

A minha primeira impressão nesta visita ao Jeu de Paume foi ótima. Em outras galerias do museu ainda era possível visitar as fotos de Bruno Serralongue, com a exposição Feux de camp, e de Klara Lidén, com Toujour être ailleurs.

William Kentridge

Cinq thèmes

De 29 de junho à 5 de setembro de 2010

Jeu de Paume

www.jeudepaume.org

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